Carta Compromisso do Observatório Negro
Dia da Consciência Negra 2025
Ao povo negro, às nossas comunidades, aos nossos aliados e a todos que acreditam na potência de um futuro construído por mãos negras, nós, do Observatório Negro, um jornal que nasce do desejo de subverter narrativas e desafiar os enquadramentos que historicamente nos limitaram, firmamos aqui nosso compromisso público por ocasião do Dia da Consciência Negra.
Nascemos porque não aceitamos mais que a história da população negra seja contada apenas pelo viés da dor, da resistência sofrida e do passado que insiste em nos aprisionar. Honramos nossos ancestrais, seus passos e sua luta — mas não seremos um jornal que olha apenas para trás. Nosso propósito é outro: ampliar o presente e projetar o futuro.
Nosso compromisso é com a complexidade da vida negra. Com seu riso, sua invenção, sua capacidade infinita de recriar caminhos mesmo quando o mundo insiste em apagar nossas trilhas. Queremos reverberar o que pulsa agora, nossas conquistas cotidianas, os projetos que florescem, as lideranças que emergem, os conhecimentos que desenvolvemos, a arte que cria mundos, a política que desenha horizontes e a ciência que reinventa o amanhã.
E se a Consciência Negra não for apenas sobre lembrar o que perdemos, mas celebrar o que estamos criando? Essa pergunta é o farol que guia este compromisso. Celebrar o hoje é reconhecer que o futuro negro não é uma miragem. Ele está acontecendo agora, na prática e na imaginação de milhões de pessoas negras que constroem, lideram, pesquisam, empreendem, educam, interpretam, inovam e sustentam o país todos os dias.
Por isso, para o próximo ano, assumimos publicamente a missão de:
Narrar a vida negra para além da dor com centralidade às potências, às vitórias cotidianas e às inovações que estão mudando nosso tempo.
Valorizar o presente como tempo de criação e não apenas como intervalo entre passado e futuro e comemorar o que estamos construindo agora. Nossas políticas, nossas tecnologias, nossas estéticas, nossos modos de existência.
Registrar e amplificar iniciativas negras em curso, especialmente aquelas frequentemente invisibilizadas pelo jornalismo tradicional.
Subverter os enquadramentos hegemônicos recusando leituras reducionistas que nos cristalizam apenas em dor, resistência ou estatística e fomentar imaginários de liberdade porque imaginar é também construir.
Produzir um jornalismo que celebra ao mesmo tempo que denuncia, comprometido em revelar injustiças, mas também em iluminar conquistas.
O Observatório Negro nasce para dizer que somos mais do que sobreviventes. Somos criadores. Somos arquitetos do futuro. Somos quem está transformando o agora em um lugar mais justo, mais brilhante e mais nosso.
Neste Dia da Consciência Negra, reafirmamos que lembrar é essencial, mas criar é urgente. Celebramos nossa ancestralidade e também o que ela nos permite projetar: um presente vivo, pulsante e um futuro que não espera, mas acontece todos os dias nas mãos do povo negro.
Que esta carta seja compromisso, celebração e promessa.
Que ela nos lembre que o futuro é escrito por quem se recusa a desaparecer.
E nós estamos aqui como prova disso tudo.
Observatório Negro,
Por um jornalismo que respeita o ontem, celebra o hoje e constrói o amanhã.